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    TOCANTINS

    Desvio de milhões no TO pela família Miranda começou em 2003, 1º mandato do Governador

    Por Norte do Tocantins28 de novembro de 2016
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    Da esquerda para direita: Júnior Miranda, Brito Miranda e Marcelo Miranda
    Marcelo Miranda é Elegível
    Marcelo Miranda é Elegível

    A Polícia Federal informou, durante entrevista nesta segunda-feira (28), que a lavagem de dinheiro investigada na Operação Reis do Gado foi praticada por meio de recursos adquiridos em contratos firmados desde a primeira gestão de Marcelo Miranda (PMDB), entre 2003 e 2009. Ele é um dos alvos da operação.

    O pai do governador, Brito Miranda, e um dos irmãos dele também são investigados. Todos tiveram os bens bloqueados pela Justiça. Até o momento, foram identificados que R$ 200 milhões foram efetivamente lavados.

    O advogado da família de Marcelo Miranda disse que não vai se manifestar sobre o caso neste momento.

    Conforme o superintendente regional da PF no Tocantins, Arcelino Vieira, havia o pagamento de propina por causa das contratações que eram feitas de forma direcionada, principalmente na área da construção civil.

    A polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Marcelo Miranda, que não foi encontrado no local. Ele chegou a Palmas no final desta manhã para prestar depoimento na Justiça Federal.

    O ex-governador Siqueira Campos foi conduzido coercitivamente. O chefe da Delegacia de Repressão e Combate ao Crime Organizado, Cleyber Malta, explicou que ele foi levado para prestar depoimento porque foi verificado que algumas empresas que estabeleceram contratos em 1998, na gestão dele, para a construção de pontes, permaneceram executando serviços em várias gestões.

    “A partir do estabelecimento dos contratos das pontes, percebemos que o grupo permaneceu e apenas alternou-se em relação aos diversos governadores que iriam passando. Havia sempre uma tentativa de composição destas empresas com os governadores para que permanecessem fazendo obras e pagamento de propina para a manutenção destes contratos. A propina era paga tanto para o recebimento das obras, quanto em forma de doação de campanha”, explicou Malta.

    A assessoria de comunicação do ex-governador disse que ele prestou depoimento na na sede da Polícia Federal, em Palmas, na condição de testemunha. “O ex-governador Siqueira Campos não é investigado na operação e reitera prosseguir à disposição da Justiça e da Polícia Federal para prestar qualquer esclarecimento sempre que for solicitado”, informou em nota.

    Lavagem de dinheiro

    O superintendete da PF disse que a suposta lavagem era feita, ora pela compra e venda de gado, ora pela compra e venda de fazendas. Uma das fazendas compradas no Pará teria sido registrada por R$ 20 mil, sendo que o valor da propriedade chegava a R$ 40 milhões. A polícia investiga se houve a partipação de cartorários no registro do imóvel. A PF disse que a lavagem envolve outros bens como aeronaves, carros e salas comerciais.

    Vieira informou ainda que a associação era organizada e até registrada em cartório.

    Da esquerda para direita: Júnior Miranda, Brito Miranda e Marcelo Miranda
    Da esquerda para direita: Júnior Miranda, Brito Miranda e Marcelo Miranda

    “O que nos chamou atenção é que o grupo criminoso praticamente registrou em cartório a atividade de lavagem. Foi registrada em cartório um distrato de uma sociedade, quando se faz um distrato é porque houve um contrato. Nesse distrato foi feita uma composição onde um dos laranjas se retirava e deixava os bens para pessoas da família do governador”, informou Vieira. Alguns dos laranjas teriam devolvido os bens e o dinheiro sem cobrar nada em troca, complementou.

    Conforme a PF, o caso começou a ser investigado há cerca de um ano. Durante a investigação foi verificado que a família do governador teria o segundo maior rebanho do estado do Pará, totalizando 30 mil cabeças de gado. A atividade, segundo a polícia, era usada para mascarar a origem de outros recursos.

    Dos R$ 200 milhões que teriam sido lavados, “R$ 60 milhões eram em dinheiro que circulavam na conta de terceiros e ao final, parte dos valores teria voltado para posse da família do governador”, explicou Malta.

    Todos os bens de Marcelo Miranda, do pai e de um um dos irmãos foram bloqueados. Além disso, serão investigadas as prestações de conta no Imposto de Renda de todos eles. Segundo a PF, os registros declarados estão em desacordo com o que foi movimentado em conta.

    O valor de R$ 200 milhões foi detectado no processo de lavagem, mas o dinheiro das contratações supera esse valor. (G1)

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