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    Vacina contra herpes-zóster pode reduzir risco de demência, aponta estudo internacional

    Por Norte do Tocantins26 de janeiro de 2026
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    Divulgação
    Um estudo internacional publicado pela revista britânica Nature Medicine, em 2025, analisou dados de cerca de 280 mil pessoas e trouxe um novo olhar sobre a vacina contra a herpes-zóster. Além de já ser reconhecida por prevenir a doença e suas complicações, a imunização foi associada a uma redução de até 20% no risco de desenvolvimento de demência. O achado reforça a importância da vacinação em adultos e idosos como estratégia de proteção integral à saúde.
    De acordo com a infectologista cooperada da Unimed Goiânia, Dra. Marília Turchi, o estudo comparou grupos vacinados e não vacinados e identificou menor frequência de casos de demência entre aqueles que receberam a vacina. “Esse é um estudo recente e muito interessante, porque amplia os benefícios já conhecidos da vacina, mostrando uma possível redução do risco de demência em pessoas vacinadas”, afirma.
    Vacina e a relação com a prevenção da demência
    Segundo a especialista, uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é a ligação entre a reativação do vírus da herpes-zóster e processos inflamatórios no sistema nervoso central. “Esse vírus pode causar inflamação no sistema nervoso, mesmo sem provocar quadros graves, como encefalite ou meningite. Essa inflamação crônica pode estar relacionada ao desenvolvimento de demência. Ao evitar a reativação do vírus, a vacina pode oferecer essa proteção adicional”, explica Dra. Marília.
    Quem deve se vacinar e como funciona a imunização?
    A vacina contra a herpes-zóster é indicada para todas as pessoas a partir dos 50 anos de idade e também para indivíduos mais jovens que apresentam condições que aumentam o risco de reativação do vírus. Entre eles, estão pacientes com doenças onco-hematológicas, doenças reumatológicas, diabetes de difícil controle, doença renal crônica ou que fazem uso de medicamentos imunossupressores.
    “A partir dos 50, 60 anos, ocorre um fenômeno natural chamado imunossenescência, que é a queda da defesa do organismo. Isso aumenta o risco de reativação do vírus. Por isso, a vacina é tão importante”, destaca a infectologista. O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de dois meses, e é considerado seguro, não causando a doença.
    Além de prevenir o surgimento da herpes-zóster, a vacina reduz significativamente o risco de dor crônica, uma das complicações mais frequentes e debilitantes da infecção. “Ela já é utilizada em larga escala em países da América do Norte e da Europa e faz parte do calendário de vacinas”, ressalta.
    Importância da vacinação mesmo após ter a doença
    Mesmo quem já teve herpes-zóster pode se beneficiar da imunização. Dra. Marília esclarece que a vacina não elimina dores crônicas já instaladas, mas protege contra novos episódios. “Quem teve um episódio pode ter outros. Em média, seis meses após a infecção, orientamos que a pessoa tome a vacina para evitar novas reativações”, afirma.
    A médica também chama atenção para a baixa cobertura vacinal no Brasil. “É fundamental divulgar que essa vacina existe e seus diversos benefícios. Ainda há pacientes que desconhecem a indicação, o que impacta diretamente na prevenção da doença e de suas complicações”, pontua.
    O que é a herpes-zóster e quais são os sintomas?
    A herpes-zóster é causada pelo vírus da varicela-zóster, o mesmo que provoca a catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece latente no organismo, alojado nos nervos, sem causar sintomas. Anos ou décadas depois, ele pode ser reativado, especialmente em situações de queda da imunidade.
    As manifestações incluem lesões na pele em forma de vesículas e bolhas, geralmente dolorosas, que seguem o trajeto de um nervo e aparecem em apenas um lado do corpo. “É uma doença muito dolorosa, que pode evoluir para dor crônica. Dependendo do nervo acometido, pode comprometer a face, os olhos, com risco de cegueira; ou o ouvido, causando tonturas e alterações auditivas”, alerta a infectologista.
    O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais. “Quanto mais cedo o antiviral é iniciado, melhor a resposta, tanto para evitar a disseminação quanto para reduzir a inflamação e o risco de dor crônica”, conclui Dra. Marília.
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