A partir do último dia 18 de novembro a parceria Caixa x Banco do Brasil para recebimento de contas em casas lotéricas foi interrompido. A quebra do acordo partiu da tentativa da Caixa em reajustar os valores de serviços do BB nos seus pontos de atendimento lotéricos. Valor este que não foi aceito pelo BB por julgar muito elevado. A Caixa alega que os valores de reajuste visam dar sustentabilidade à Rede Lotérica.

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Com isso, o Banco do Brasil aposta na estratégia de aumentar sua própria rede de atendimento (Rede Mais BB) nos municípios desassistidos pelas agências bancárias e, também conta com a chegada no PIX para que seu público continue realizando seus pagamentos de faturas.

Hoje mais de 40% dos municípios não têm agência bancária. São cerca de 2340 cidades do país sem atendimento, segundo informações da CUT (Central Única dos Trabalhadores). As filas na Caixa Econômica Federal e lotéricas para receber a renda emergencial de R$ 600 mostraram que há uma exclusão bancária, que obriga as pessoas a terem um pacote de internet, num país em que o acesso é

precário. Além disso, há uma camada significativa da população que não está ativa no meio digital e encontra muitas dificuldades de inclusão neste setor.

Vale destacar que nos extremos da zona sul e da zona leste da capital de São Paulo, o maior centro econômico do país, não há torres de internet nem 3G, nem 4G. Em Carapicuíba [região metropolitana de SP] não tem fibra ótica. Isso já sugere a dificuldade no restante do país.

De acordo com levantamento do jornal O Globo, duas em cada cinco cidades do país não possuem sequer uma agência bancária. Em um período de seis anos, 2.414 agências foram fechadas, devido a cortes e custos e à concorrência com os bancos digitais e a tendência é piorar.

A Federação Brasileira das Empresas Lotéricas – Febralot, vê com imensa preocupação esta situação. Acompanhando os empresários lotéricos em suas atividades de norte a sul do país, a Febralot tem recebido um número progressivo de reclamações nas casas lotéricas tanto por parte dos empresários, que veem aí uma diminuição significativa dos seus rendimentos como também por parte da

população. Quatro em cada dez clientes saem dos guichês reclamando da dificuldade gerada pelo fim deste serviço.

O presidente da Febralot, Jodismar Amaro já colocou o assunto em pauta das reuniões da entidade com a Caixa e, da parte da gestora e do BB não parece haver interesse em abrir mão de nem um percentual para manter o acordo. “Vemos que, no momento atual, onde muitos comerciantes estão flexibilizando seus interesses para manter os rendimentos, é imprescindível que este acordo se mantenha. Empresários lotéricos já estão sofrendo com a digitalização dos serviços bancários e das apostas há anos e com a Covid-19 o prejuízo está atingindo danos financeiros irreparáveis a esses profissionais. Sem contar que hoje, somos a maior rede de atendimento no país, com uma capilaridade incomparável. São mais de 13.000 pontos de atendimento que estão em quase 100% dos municípios em todo o país.” – destaca Jodismar.

 “Além disso, as casas lotéricas sempre foram um ponto de apoio para abranger a totalidade da população em todas as questões sociais e seus benefícios, por isso não pode, agora, ser um desamparo para os correntistas do BB em todo o país que contam com os nossos serviços.” – Completou.

O ex-deputado federal Luiz Carlos Hauly é correntista do BB e se mostrou indignado com a ação inoportuna das entidades envolvidas na quebra deste acordo (Caixa e BB), ele viu de perto os clientes enfurecidos nas casas lotéricas reclamando da impossibilidade de pagar suas contas, efetuar saques ou adquirir jogos lotéricos.

Segundo Hauly o prejuízo se estende não apenas aos correntistas do BB mas aos lotéricos, à Caixa e até ao Governo Federal que perde em arrecadação na venda de jogos para este público.

Hauly considera a atitude dos dois bancos públicos do Governo federal é um crime contra a economia popular. O momento é delicado e pede intervenção do Presidente Jair Bolsonaro para que não haja ainda mais prejuízos à todos os envolvidos.

A Febralot, em nome das empresas lotéricas de todo o país em conjunto com os presidentes de todos os sindicatos estaduais está diretamente empenhada em buscar uma solução para favorecer principalmente a população. (Roberto Nakashima)

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