Motoristas da empresa de transporte público Nasson Tur Turismo entraram em greve nesta segunda-feira 28, por conta de atraso nos pagamentos. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Sul e Sudeste do Pará (Sintrarsul), 100% da frota – 30 veículos – está paralisada e os funcionários afirmam que só voltam a trabalhar quando receberem os salários atrasados. A posição era a mesma na noite de ontem, uma vez que a empresa sequer deu uma resposta aos grevistas.

“O funcionário já vem há 120 dias sofrendo com o atraso. Houve uma assembleia na quinta-feira (24) e eles opinaram pela paralisação, devido o descaso da empresa para com o trabalhador”, afirma o presidente em exercício do Sintrarsul, Océlio Barros. Os trabalhadores pediram apoio ao sindicato, que se dispôs a ajudar. Paralelamente a isso, Barros diz que a entidade pede desculpas à população pelo transtorno.

Segundo o presidente em exercício, a empresa foi notificada na sexta-feira (25) e o gerente informou que não tinha condições de efetuar o pagamento. “Se estivesse pagando em dia, dava para continuar trabalhando. O atraso está demais. A empresa tem até o dia 5 para pagar e tem salário saindo dia 15. Se temos uma dívida para pagar, existem os juros. A empresa não paga, não liga para a gente”, dispara o motorista José Amâncio Filho.

O gerente regional da Nasson, Jair Manoel Pessoa, não quis falar sobre a greve dos trabalhadores da empresa.

PASSAGEIROS

Com a paralisação da Nasson, apenas a outra empresa que explora o transporte público em Marabá, a TCA (Transporte Coletivo Anapolina) está circulando com 32 ônibus. A redução da frota desde as primeiras horas  da segunda-feira causou inúmeros transtornos à população que depende do transporte coletivo.

“Quem mora nas Folhas 14, 15 e 16 está passando por grandes dificuldades, porque eles estão demorando muito para passar. Eles vão e não têm hora para voltar”, reclamava a pedagoga Sueli Martins.

A usuária conta que chegou na parada desde as 7h15 e por volta das 8h ainda não tinha conseguido pegar um coletivo. “Tenho que sair de casa muito cedo para chegar ao trabalho no horário. E, às vezes, não consigo, tenho que pagar mototáxi”, diz Sueli, que também critica a tentativa das empresas de ônibus de aumentar a tarifa.

Outra usuária, a empregada doméstica Maria Fernandes, diz que até é a favor do aumento, contanto que não faltem veículos para os passageiros. Ela também reclama da demora dos ônibus e pede que os carros cumpram os horários corretos.

No final do dia, a situação tornou a se complicar com milhares de trabalhadores tentando voltar para casa ou se deslocar para faculdades diante do número reduzido de ônibus nas ruas.

(Esaú Moraes)

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