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    Por falta de emprego em Palmas, travestis e transexuais optam pela prostituição

    By Norte do Tocantins19 de fevereiro de 2018
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    Foto: Cinthia Abreu / Ascom DPE
    Foto: Cinthia Abreu / Ascom DPE

    O acesso ao emprego nem sempre é lembrado nos debates sobre direitos de transexuais e travestis, mas a falta de oportunidades para essas pessoas ainda é um grande problema. Essa situação foi identificada em atendimento nos pontos de prostituição em Palmas, realizado pela Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO), por meio do Núcleo Aplicado de Defesa das Minorias e Ações Coletivas (NUAmac) Palmas, em parceria com a Associação dos Transexuais e Travestis (Atrato) e a Prefeitura de Palmas.

    “Eu sempre fui um ‘menino afeminado’. Por causa disso os meus pais nunca me aceitaram e me expulsaram de casa ainda criança. Segui a minha vida batalhando em busca de um futuro melhor, fui feirante, técnico em parques de diversão, assistente administrativo, vendedor no shopping, mas quanto mais eu me aproximava da minha essência, mais dificuldade eu tinha de arrumar emprego. Hoje, o máximo que eu consigo são algumas faxinas como diarista e bicos em Salão de Beleza, mas mesmo assim as pessoas não me querem dentro de casa, por isso resolvi me prostituir”, explica a trans que adotou o nome de Juliana Vendaval.

    Há três anos, o principal meio de sustento de Juliana é a prostituição nas ruas, a “pista”. “Quando eu luto contra quem eu sou, fico cada vez mais infeliz. Já tentei me matar várias vezes, até que eu percebi que Deus me quer viva, pois se foi ele que me deu a vida é só ele para tirar”, disse Juliana, emocionada.

    O atendimento foi realizado pela Defensoria Pública, a noite de quinta-feira, 15.

    Prostituição
    A história de Juliana está refletida em dados da Atrato, que mostram Palmas, atualmente, com cerca de 30 travestis e transexuais, dos quais 90% escolheram a prostituição como forma de sobrevivência por falta de oportunidade no mercado de trabalho.  “O mercado de trabalho tenta nos apagar. Na maioria das vezes, as empresas não querem saber o que você tem a oferecer, por isso, a única saída, então, é a prostituição”, afirma a presidente da Atrato, Byanca Marchiori.

    A história da presidente da Associação é um caso raro em todo o movimento. Ela conta que também teve que se prostituir para sobreviver, mas conseguiu uma oportunidade de trabalho que mudou sua história. “Hoje eu sou técnica de enfermagem e instrumentadora cirúrgica, concluindo o curso de Enfermagem”, orgulha-se. Ela lembra que há poucas trans que conseguiram vaga no mercado de trabalho. “Que eu tenho conhecimento só tem eu, uma secretária de uma escola no município de Palmas e uma assessora de órgão público”, ressalta.

    Para a coordenadora do NUAmac, defensora pública Letícia Amorim, no mercado de trabalho a sociedade e as políticas públicas ainda estão longe de promover a inclusão à população trans. Segundo a Defensora, a falta de oportunidade no mercado de trabalho deságua em outros graves problemas, tais como o suicídio. “É necessário ampliar o acesso desta população à prevenção, proteção e assistência à saúde, além de ofertar atenção integral às suas necessidades”, disse. Diversas ações de combate que focam o respeito à diversidade sexual estão na pauta do Núcleo, como coletivo permanente, rodas de conversas, debates, nome social e atendimento jurídico especializado, dentre outros.

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