O Comitê da Ação da Cidadania no Tocantins vem realizando um trabalho social relevante no estado, identificando demandas e necessidades de comunidades quilombolas e indígenas. A partir do contato direto com lideranças locais, a organização constatou a necessidade de apoiar essas comunidades com a distribuição de cestas de alimentos, por meio de doações eventuais que contribuem para o atendimento de famílias em situação de vulnerabilidade social.
Segundo Daniel Barbosa, assistente social, mestre em Educação, especialista em Gestão em Serviço Social e Políticas Públicas e coordenador da Ação da Cidadania no Tocantins, a vulnerabilidade dessas comunidades não se restringe apenas ao acesso aos alimentos, mas também envolve dificuldades no acesso à saúde, à educação e a luta diária para garantir a permanência da população em seus territórios.
As comunidades beneficiadas incluem indígenas Xerente da Aldeia do Romão, em Tocantínia (TO); indígenas Javaé, em algumas aldeias no município de Formoso do Araguaia (TO); e indígenas Krahô, da Associação Indígena Me Hempej Xá, no município de Itacajá (TO).
Também foram atendidas comunidades quilombolas, como Lajeado, no município de Dianópolis (TO); Baião, no município de Almas (TO); Rio Preto, em Lagoa do Tocantins (TO); e a comunidade Malhadinha, em Brejinho de Nazaré (TO).
Além dessas localidades, cestas básicas também foram destinadas a outras áreas rurais, como o Projeto de Assentamento Santo Onofre, em Ponte Alta do Tocantins (TO), e à comunidade Barra da Estiva, no município de Goiatins (TO).
De acordo com o coordenador, o mapeamento das necessidades foi realizado por meio de contato direto com as comunidades, o que permitiu identificar de forma mais precisa a realidade de quem vive na zona rural. Muitas vezes, por falta de informação e de registros oficiais que apontem essas necessidades, essas comunidades acabam ficando invisíveis nos programas de apoio e nas ações emergenciais.
Segundo ele, essa população frequentemente enfrenta dificuldades em diversas áreas, como alimentação, habitação e educação. Outro desafio é a ausência de assistência técnica por parte de instituições de extensão rural (ATER), que ainda atendem um número limitado de comunidades, mas poderiam contribuir de forma significativa com orientações voltadas à produção de alimentos e ao fortalecimento da segurança alimentar.
Daniel Barbosa também ressalta que as informações destinadas aos cidadãos que vivem na área rural precisam ser mais trabalhadas pelos órgãos governamentais, para que as famílias possam compreender melhor seus direitos e levar suas demandas aos órgãos competentes. Isso contribuiria para o fortalecimento das políticas públicas e para um planejamento mais eficiente voltado às necessidades da população rural.
Para a realização de toda essa logística, a Ação da Cidadania conta com o apoio da Universidade Federal do Tocantins (UFT), por meio da Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários (PROEX). A instituição vem apoiando essas ações desde 2020, beneficiando também estudantes dessas comunidades que estão cursando o ensino superior na universidade. Além disso, destaca-se o trabalho desenvolvido pela Universidade da Maturidade, que também atua em algumas dessas comunidades.

