O Brasil comemora o Dia do Médico em 18 de outubro, data em que também é celebrado o Dia de São Lucas, o santo protetor destes profissionais. E quando se fala em proteção, cura e luta, o clínico geral Álvaro Milhomem Martins Neto, que faz parte de uma equipe de 263 médicos da Secretaria Municipal da Saúde (Semus) afirma que estaria sendo parcial se dissesse que optou por medicina porque queria salvar vidas, curar as doenças e amenizar as dores. “Isso tudo, para mim, soa muito romântico. Medicina não é um estilo de vida. É uma profissão que, como qualquer outra, possui bons e maus atributos. Muita dedicação e responsabilidade que, por outro lado, inspira uma grande admiração por parte da sociedade”.

Neto conta que a possibilidade de criar um vínculo com as pessoas é o que o fascina na profissão. “Isso sim é um grande privilégio”, diz.

Ele ainda observa que poder conhecer melhor a história daquele indivíduo, tentar desvendar o que o está afligindo e orientá-lo para melhorar a sua qualidade de vida são tarefas desafiadoras que, em sua visão, o que o impulsa a continuar estudando. “Uma imagem que faço são as fases de um jogo. Umas fases são mais difíceis que outras. Com as pessoas também é assim. E na verdade, quanto mais difícil uma fase que você consegue passar, maior é o prazer. Ao prazer vaidoso da vitória, somam-se esses pequenos presentes traduzidos em sorrisos e brilhos nos olhos”.

O profissional diz que quando lhe fazem a pergunta sobre o motivo de ter escolhido a medicina, a resposta sai fácil, porém sempre seguida da razão pelo qual continua escolhendo ser médico a cada manhã. “Sou apaixonado pela alegria, e muito mais apaixonado pelo ser humano”.

Formado em junho deste ano, parte do corpo de servidores públicos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Norte e lidando na linha de frente da pandemia da Covid-19, o clínico geral acredita que o momento atípico que o mundo atravessa diante das incertezas do novo coronavírus, os médicos também têm o sentimento de impotência, diante de alguns casos, por querer poder fazer um algo a mais pelo paciente. “É tudo muito novo, tanto nos sintomas do paciente quanto no tratamento, até hoje não existe um consenso definitivo, o que se sabe é que alguns medicamentos ajudam no curso da doença, porém, não há algo comprovado cientificamente. Então, isso faz com que não tenhamos certeza da real eficácia daquilo para determinado paciente. Vivi dias turbulentos aqui no Tocantins, onde a exaustão era nítida no rosto de cada profissional de saúde”.

Neto acredita que essas questões são desafiadoras para qualquer médico, principalmente para aqueles que deixaram os muros da universidade para cuidar do ser humano na busca mais preciosa: a vida. “Tudo isso é algo extremamente desafiador! Me vi formado no meio do pico de uma pandemia, algo que até então só tinha presenciado nos livros de história. Senti medo, mas ao mesmo tempo, uma força e coragem absurda, porque sabia que existiam pessoas que necessitavam da minha ajuda. Medicina vai muito além do querer ser médico, medicina é dom, é saber gostar de gente e isso ninguém nos ensina, já nasce em nós”, finaliza.

Também atuando na linha de frente da Covid-19, o epidemiologista Rafael Cordenonzi Pedroso de Albuquerque, que atua há nove anos na área, conta que decidiu desde muito cedo o que gostaria de ser na vida. E nessas perspectivas, a medicina era algo que sempre teve interesse em seguir.

“A profissão sempre foi um desafio em minha vida. Desde o seu início, quando saí da universidade com pouca experiência e tive que atender pessoas que dependiam de mim, e agora a provação foi ainda maior, quando tive que atender pacientes durante uma pandemia que ainda não sabemos quando, de fato, irá acabar”.

Ele também julga que atuar na medicina nesse momento é uma experiência sem precedentes, com altos e baixos. “Mas que com certeza não quero viver novamente, apesar de amar o que eu faço”, afirmou.

A secretária Municipal da Saúde, Valéria Paranaguá destaca que esses profissionais, como todos que atuam na área da Saúde, integram o coração da secretaria, porque é através de suas mãos que vidas podem ser curadas. “Queremos parabenizar os médicos que em tantos momentos se tornaram verdadeiros heróis, principalmente nesse momento de pandemia que estamos enfrentando”.

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