O uso da cloroquina por pacientes infectados com o novo coronavírus segue sendo estudado por vários países, mas pesquisadores ainda não conseguiram encontrar resultados conclusivos sobre sua eficácia no combate à Covid-19.

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Albany, no estado de Nova York, não encontrou relação entre o uso do medicamento e a redução da mortalidade pela doença e ainda pode causar problemas no coração, tanto sozinha como quando associada à azitromicina. Foram analisados 1.438 pacientes infectados com coronavírus, em 25 hospitais de Nova York.

A pesquisa, realizada em pacientes de hospitais do estado de Nova York (EUA), é a maior deste tipo e corrobora com outro estudo publicado na semana passada, no New England Journal of Medicine, que também mostrou que o medicamento não funciona contra o novo coronavírus.

Ao todo, 1.438 pacientes de 25 hospitais nova-iorquinos foram avaliados pelos pesquisadores. A maior parte (59,7%) era formada por homens com 63 anos, em média. Apenas pessoas que estavam internadas há pelo menos 24 horas entre 15 e 28 de março foram consideradas elegíveis para o estudo.

O último acompanhamento foi feito em 24 de abril. Os pacientes foram divididos em quatro grupos: o primeiro foi tratado apenas com hidroxicloroquina; o segundo, só com azitromicina; o terceiro, com ambos os medicamentos; o último, com nenhum dos dois. Aqueles que foram medicados (com cloroquina, azitromicina ou os dois) ficaram mais propensos a desenvolver problemas como diabetes, baixa saturação de oxigênio e manchas anormais nos pulmões, de acordo com imagens de raio-x.

Dos que receberam ambos os medicamentos, 15,5% registraram paradas respiratórias e 27,1%, anormalidades nos eletrocardiogramas. A proporção é de 13,7% e 27,3%, respectivamente, entre os pacientes medicados só com hidroxicloroquina; 6,2% e 16,1% entre os que receberam azitromicina; e 6,8% e 14% entre os que não foram medicados com nenhum dos dois. Por fim, ainda segundo os pesquisadores, em comparação com os pacientes que não receberam nenhum dos medicamentos, não houve diferenças significativas na mortalidade daqueles que foram tratados com hidroxicloroquina, azitromicina ou ambos.

“Entre os pacientes hospitalizados com covid-19, o tratamento com hidroxicloroquina, azitromicina ou os dois não foi associado à diminuição significativa da mortalidade”, concluíram os cientistas norte-americanos, acrescentando que os resultados da pesquisa podem ser limitados por sua natureza observacional. (Uol)

 

 

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