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    Enquanto menina Laura continua desaparecida, sociedade espera agilidade na conclusão de crimes

    Por Norte do Tocantins19 de fevereiro de 2017
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    Laura Vitória de Oliveira Rocha, 09 anos/ Foto: Divulgação do google
    Laura Vitória de Oliveira Rocha, 09 anos/ Foto: Divulgação do google

    Desde o dia 09 de janeiro de 2016 a menina Laura Vitória, de nove anos, está desaparecida. Ela saiu de casa por volta das 10h30 de um sábado para ir a um supermercado e simplesmente desapareceu. Ela morava com a avó na região sul da capital. As imagens das câmeras de segurança de um estabelecimento comercial mostram quando a menina entrou no local, onde ficou por alguns minutos e depois saiu com uma sacola na mão. Após isso, não foi mais vista.

     Em meio às investigações a polícia prendeu Ronaldo Santana da Silva, de 40 anos, suspeito de envolvimento no sumiço de Laura. Ele negou as acusações e foi liberado quando o prazo da prisão provisória terminou e não foram encontrados novos indícios para mantê-lo preso.

     Um ex-namorado de Simone Pereira de Oliveira, mãe biológica de Laura, foi ouvido pela polícia e também liberado. A mãe, inclusive, foi submetida a exames toxicológicos para averiguar o uso drogas. Mas a questão é que até agora nada foi descoberto sobre o sumiço da criança.

     A tia da menina, a dona de casa Simone Pereira de Oliveira comenta que é difícil lidar com essa demora da polícia. “Até o momento não tivemos nenhum posicionamento sobre as investigações e é difícil para a família ficar sem saber o que de fato aconteceu com a Laura. Queríamos que a delegacia tomasse uma providência, porque pra gente não tem informação de nada. Será que temos que buscar ajuda fora do Tocantins? Por que a nosso ver a polícia aqui está parada”, desabafou Simone.

     Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a investigação do caso segue em andamento na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Enquanto isso, a família segue desesperada por notícias.

    Popular entre os espectadores, a série CSI ‘Crime Scene Investigation’, mostra justamente o processo de investigação criminal. Em português CSI significa ‘Crime Sob Investigação’. No seriado, a narrativa é voltada para investigações realizadas por um grupo de cientistas do departamento de criminalística de Las Vegas.

    Na prática, esses personagens desvendam crimes em situações misteriosas e pouco comum. Na vida real, esses cientistas, conhecidos como peritos criminais, também lidam com casos dramáticos que exigem acima de tudo, responsabilidade e observação, além de poderem ajudar a elucidar crimes simples e complexos.

    O perito é o profissional responsável por reconstituir a materialidade do delito, ou, em palavras mais simples, descobrir a verdade sobre como o crime aconteceu, orientando a investigação policial e o processo criminal. É a prova pericial que demonstrará, por exemplo, se o acusado por um determinado crime realmente o praticou ou não, ou se agiu em legítima defesa.

    De acordo com o superintendente da Polícia Científica da Polícia Civil do Tocantins, Marcelo Diniz da Cunha, aatividade pericial é complexa e ao mesmo tempo de extrema importância para a persecução penal, especialmente na análise de vestígios que possam auxiliar no esclarecimento dos casos e na responsabilização do infrator. Desta forma é possível comprovar a materialidade e a autoria de um delito, por meio de técnicas periciais e detalhamento de informações coletadas.

    Segundo Marcelo, a atuação do perito é especializada e pode ocorrer em situações como: identificação veicular, engenharia legal, acidentes de trânsito com vítima, local de Crime Contra a Pessoa ou contra o patrimônio, dentre outros.

    “A perícia pode ser fundamental, uma vez que, por meio da realização de exames técnicos e análises relacionadas aos vestígios, pode dar fundamento concreto da materialidade e autoria do crime, auxiliando o delegado, o promotor e o magistrado na formação do seu convencimento”, explicou.

    Ainda conforme o especialista, uma perícia leva em média 10 dias para a confecção do laudo. “Também pode ser solicitada a dilação do prazo em casos mais complexos ou que dependem de exames complementares – perícias de especialidade diversas”, completou.

    Investigações

    A atividade é de extrema importância no cotidiano, o que pode fazer toda a diferença na hora de desvendar um crime. Mas aqui no Tocantins nem sempre isso funciona de forma rápida e eficaz. Este é justamente o caso da vendedora Lorena Campos Silva, que teve o celular roubado no início do ano. Ela conta que registrou a ocorrência e alguns dias depois a Polícia Civil conseguiu recuperar o aparelho. A devolução, entretanto, só pode ser feita após o aparelho passar por uma avaliação pericial, o que demandou muitos dias, pois, segundo lhe informaram, haviam muitos aparelhos à espera de avaliação pericial. Ela julga que poderia haver mais agilidade na investigação.

    “Eu acredito que o meu caso era simples e eu deveria ter recuperado o aparelho em menos tempo. Mas sei que a demanda é alta, ou seja, muito serviço para poucas pessoas trabalharem. O efetivo é pouco, se fosse mais gente, a polícia poderia solucionar os casos mais rápidos. Eu ainda tive a situação resolvida, mas existe muita gente que não tem a mesma sorte”, mencionou a vendedora.

    Expectativa

    Na expectativa de contribuir com as investigações do Tocantins, estão os 80 aprovados no último concurso da polícia civil, realizado em 2014. Destes, 64 aprovados dentro do número de vagas e 16 cadastros reservas esperam ser chamados para assumirem o cargo de perito o mais rápido possível.

    Entre os aprovados está a odontóloga Georgiana Ferreira Ramos. Especialista em Odontologia Legal, ela frisa que cada profissional está preparado para oferecer um serviço de qualidade de acordo com sua área de formação. Em sua opinião, o trabalho da polícia não se realiza pela atuação de um único profissional, mas sim por uma força-tarefa de todos os agentes envolvidos  na investigação  criminal. “Apesar da demora em sermos nomeados, sabemos que ao entrarmos, podemos contribuir muito para a redução  da criminalidade e da impunidade, porque a falta de peritos causa uma fragilidade na produção de provas necessárias para desvendar os crimes e consequentemente punir os culpados”, pontuou.

    Concurso

    Ao todo mais de 500 aprovados aguardam a convocação para exercer os cargos de perito criminal, delegados, agentes, escrivães, papiloscopista, agente de necrotomia e médico legista. O certame previa o preenchimento imediato de 397 cargos e o restante para cadastro reserva.

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