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    TOCANTINS

    MPE requer prisão preventiva de policiais civis por integrarem organização criminosa

    Por Norte do Tocantins2 de agosto de 2017
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    Foto: Divulgação/ MPE/TO
    Foto: Divulgação/ MPE/TO

    O Ministério Público do Estado do Tocantins (MPE), por meio da 5ª Promotoria de Justiça de Porto Nacional, requereu à Justiça a prisão preventiva de Hebert Ayres Sardinha (ex-chefe da CPP de Porto Nacional), Rogério de Almeida Souza (escrivão) e Renato Oliveira Soares Machado (agente de polícia). Os agentes públicos foram denunciados como integrantes de organização criminosa especializada na prática de falsificação de documentos, estelionato e lavagem de dinheiro, que agiu ao menos no período de janeiro a maio de 2017.

    O grupo, segundo a denúncia, agia sob a liderança de Muriel Santos Melo, que se encontra preso na CPP de Porto Nacional, e seu comparsa Max Millian Pires. As práticas ilícitas consistiam na falsificação de documentos de identidade e documentos de propriedade de veículos, permitindo a criação de procurações públicas em nomes falsos e a criação de identidades inidôneas, para simular a venda de automóveis e forjar contratos de alienação desses veículos. Por meio de financiamentos realizados com uso de falsidade ideológica, o grupo obtinha milhares de reais em vantagens ilícitas. Para ocultar o destino do dinheiro e a propriedade dos valores obtidos com os crimes, os denunciados utilizavam outras identidades falsas, criando falsos “laranjas”, e assim “lavavam” o dinheiro produto de crime.

    As práticas ilícitas cometidas pelo grupo integram a ação penal e foram comprovadas por meio de interceptações telefônicas e de aproximadamente 10 mil mensagens, áudios e fotos de veículos e documentos falsificados compartilhados pelo aplicativo WhatsApp, localizados em celulares apreendidos com os integrantes da organização. No processo também constam fotografias de Rogério ao lado de Max em frente a um computador, buscando informações para golpes e mensagens em que o servidor se gaba de atuar ilicitamente.

    “Realmente, há fartos elementos de prova que apontam que os policiais civis denunciados, em vez de atuarem na repressão da criminalidade em Porto Nacional, uniram-se com criminosos e se associaram a estes com o intuito de perpetrar ilícitos de várias espécies e ainda usufruir de vantagens ilícitas mediante lavagem de dinheiro”, informou o Promotor de Justiça Vinícius de Oliveira e Silva.

    O denunciado Rogério de Almeida Souza utilizava-se do sistema e-Proc e do sistema Infoseg, aos quais tinha acesso em razão de sua função pública, e dessa forma levantava dados das futuras vítimas e de veículos, repassando as informações a Muriel e Max por mensagens de WhatsApp. Hebert Ayres Sardinha, então chefe da Casa de Prisão Provisória local, participava da organização criminosa, mantendo contato frequente com o criminoso Muriel e agindo ativamente nos golpes que visavam levantamento de valores de financiamentos fraudulentos. O também policial civil Renato Oliveira Soares Machado é cunhado de Hebert e atuava como ajudante deste, tendo permitido que seu nome fosse usado em documentos falsos para financiamento fraudulento e remetido valores ilícitos auferidos para Muriel, a mando de Hebert.

    Os três agentes públicos foram denunciados pelas práticas de organização criminosa (art. 2º, Lei nº 12.850/2013), falsificação de documento público (art. 297, caput, do Código Penal), lavagem de dinheiro (art. 1º da Lei 9.613/98) e estelionato (art. 171 do Código Penal). Rogério ainda foi denunciado pela prática de corrupção passiva, por quatro vezes.

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