Adultos e crianças tentaram apagar o fogo no acampamento do MST
38 barracos foram consumidos pelas chamas

A Defensoria Pública do Estado do Tocantins, por meio do NUAmac – Núcleo Aplicado de Minorias e Ações Coletivas, oficiou a 10ª Delegacia Regional de Polícia Civil, no município de Araguatins, nesta quarta-feira, 16, para prestar informações quanto ao andamento das investigações de um incêndio, supostamente criminoso, que destruiu mais de 50 barracos no Acampamento Padre Josimo, em Carrasco Bonito, na região do Bico do Papagaio, estado do Tocantins, onde viviam 80 famílias.

O coordenador do Núcleo Especializado, defensor público Sandro Ferreira, também solicitou a vinculação aos autos do inquérito policial instaurado para apurar os fatos, além de solicitar especial atenção da autoridade policial a fim de desestimular qualquer enfrentamento na região, bem como prevenir incidentes violentos.

Acampamento

O incêndio que aconteceu no último dia 14, não deixou vítimas fatais, mas algumas famílias perderam todos os seus pertences, além de uma grande quantidade de alimentos que foi queimada, pois possuíam seis alqueires plantados. Segundo o MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o acampamento está situado em um assentamento do Incra – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, criado na década de 90, numa região de forte disputa entre fazendeiros, políticos e empresários, que tentam de toda forma se apropriar da área pública.

Conforme os trabalhadores rurais, na desapropriação para criação do Projeto de Assentamento Cupim, o Incra destinou cerca de cinco mil hectares, contudo, no cartório só consta a desapropriação de pouco mais de dois mil hectares, a área restante não possui título de domínio e deveria retornar ao Instituto para serem distribuídos entre outras famílias. Os integrantes do acampamento relatam que estão sofrendo pressão dos posseiros que tomaram essa terra abandonada e denunciam tensão na região há mais de dois anos. (Keliane Vale)

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