Delegada Rosalina de Almeida

Toda semana o Sindepol/TO aborda um Delegado, neste caso uma Delegada, para nos contar sobre a realidade da profissão. A importância da segurança pública é clara, no entanto, a carreira enfrenta diversos desafios, como aponta a Delegada-Chefe da 92ª DP de Alvorada, Rosalina de Almeida, ao relatar a falta de servidores para atividades administrativas. “Não existe nenhum administrativo lotado, o que nos traz a responsabilidade da realização do primeiro atendimento à população e até mesmo atendimento inicial por telefone”, compartilha.

Em Alvorada, extremo sul do Estado, a Delegada-Chefe relata que não existem Delegacias Especializadas e, embora o número de habitantes seja baixo, a DP realiza todos os tipos de investigação, o que exige grande conhecimento. Além disso, o município é cortado pela BR 153, recebendo diariamente uma porção de visitantes de todo o Brasil, o que em tempos de pandemia, gera preocupação.

Desafios

“Os maiores desafios são encontrados na multiplicidade de tipos de investigações, onde precisamos ter um conhecimento amplo em todas as áreas do direito, além de busca pela manutenção de uma boa estrutura para o trabalho. Os poucos recursos aplicados pela administração na capacitação e aperfeiçoamento de pessoal também podem ser considerados um entrave, haja vista que os programas de modernização em regra são disponibilizados, mas gastamos muito tempo para aprendermos a utilizá-los, sem nenhuma orientação”, relata.

“A carência de servidores também é um desafio, porque em todas as vertentes da investigação precisamos de cada um dos cargos para o desempenho dos trabalhos, afinal, precisamos administrar e, por vezes, acabamos tendo que fazer o trabalho por completo, tornando a investigação muito mais demorada”, referindo-se ao fato de que desempenham funções além de suas atribuições.

Conquistas

Ao tratarmos sobre os momentos de maior orgulho como Delegada, Dra. Rosalina nos traz alguns eventos marcados por conquistas da categoria como um todo, como a Lei 12.830/13, que trouxe a declaração legal da carreira jurídica do Delegado de Polícia; a Lei Estadual  nº 2.853/2014, que concedeu aumento salarial, mas que não foi implementada; a Lei Complementar nº 144, que estabelece aposentadoria especial pelos riscos a que o Delegado é exposto e, por fim, a Emenda que garantiu a inamovibilidade, ou seja, segurança para que o Delegado possa investigar qualquer crime sem receios de retaliação política, garantia perdida em março de 2019. Além da perda da inamovibilidade, a aposentadoria especial é outra conquista que pode acabar trazendo desvantagens para a categoria. O tema está sendo debatido em função da reforma da previdência e o Sindepol/TO inclusive já apresentou sugestões para que ocorra da melhor forma segundo os interesses da Polícia Civil.

O que fazem os Delegados?

Para a população, a Delegada ressalta a diferença entre o trabalho da Polícia Civil das demais. “O trabalho da Polícia Civil é investigativo. Claro que a repressão traz um cunho preventivo também, pois o crime descoberto e o criminoso apenado, é algo exemplar, que inibe o cometimento de novos crimes. Todavia, à Polícia Civil incube a apuração de infrações penais, o que importa no cometimento de um crime ou contravenção, para que a nossa parte do trabalho se inicie. Às polícias militares, bem como rodoviária federal, incumbe a prevenção de infrações penais (evitar que elas ocorram)”, explica.

Por fim, a Delegada define a atividade como “um trabalho prazeroso por atender à população (vítima) necessitada, mas muito árduo pelo tipo de pessoas normalmente envolvidas (criminosas)”.

Rosalina de Almeida

Delegada de Polícia Civil pelo Estado do Tocantins há 11 anos, Rosalina já passou também pela Polícia Militar, servindo como soldado no Estado do Goiás durante 10 anos. Atualmente é Delegada-Chefe da 92ª DP de Alvorada.

Delegacia de Alvorada
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