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A Defensoria Pública do Estado do Tocantins oficiou o governo do Estado e cobra explicações sobre a morte de um paciente recentemente no banheiro do HGP (Hospital Geral de Palmas). O pedido de explicações e providências foram feitos na sexta-feira, 23, pelo defensor público Arthur Luiz Pádua Marques, coordenador do Núcleo Especializado de Defesa da Saúde (Nusa), após vistoria no hospital na quinta-feira, 26.

Conforme relato no site oficial da Defensoria, o paciente identificado apenas pelas iniciais de seu nome, “L. F. A.”, “chegou ao hospital necessitando trocar a bateria de um marca-passo ressincronizador, porém, no último processo licitatório o item foi retirado do pregão por ser um produto caro”.

A Defensoria relata ainda que “ele ficou oito anos com o marca-passo antigo e, seis meses antes de vencer, procurou o hospital para trocar a bateria”. “Após o envio de diversos ofícios e relatórios, os médicos alertaram à Sesau a urgência de comprar a bateria para realizar a troca, trazendo risco à vida do paciente, visto que caso o marca-passo desligasse, o paciente viria a óbito”, diz outro trecho do site do órgão, que finaliza: “Porém, após meses de espera na compra do material, o paciente morreu no banheiro do hospital, vítima de uma parada cardíaca”.

Amputação de perna

Esse foi apenas um dos problemas relatados pelo núcleo ao governo do Estado após essa vistoria. “Faltam materiais importantes para os procedimentos cirúrgicos como um cateter, por exemplo. Pela falta dele há mais de seis meses no HGPP, um paciente teve a perna amputada porque o cateter não foi retirado”, também comunica a Defensoria.

Ainda conforme o relato da Defensoria, a “a superlotação, aparelhos quebrados, falta de equipe médica e de insumos e materiais têm gerado problemas ainda piores no HGPP – Hospital Geral de Palmas”

O órgão aponta que “a situação mais grave é na área da Hemodinâmica, onde pacientes em situação de risco deveriam realizar exames de cardiologia, neurologia e muscular para identificar doenças ou a possibilidade de um infarto, ou até mesmo determinar a exata localização de uma obstrução nas artérias”. “Porém, diversos exames e procedimentos não estão sendo realizados por falta de insumos e materiais. Além disso, os pacientes estão recebendo alta do hospital sem a devida assistência de saúde, levando-os até ao óbito, em alguns casos”, revelou a Defensoria.

Desassistidos

Na vistoria realizada na última quinta-feira, 22, ainda conforme o comunicado à imprensa do órgão, 20 pacientes internados no hospital estão desassistidos pela falta de material para realização de exames. “Por conta da gravidade de alguns casos, pacientes estão indo a óbito diante da espera”, diz a Defensoria.

O órgão aponta ainda que encaminhou diversos relatórios à Secretaria Estadual de Saúde que expõem a situação. “Tais relatórios são encaminhados e aguardam respostas de até mais de um ano para providência na Sesau, sendo que tratam de materiais que muitas vezes não oneram tanto aos cofres públicos.”

Radiação

A Defensoria citou alguns desses materiais: “É o caso, por exemplo, de alguns documentos que pedem um campo plástico para não molhar os equipamentos, onde cada plástico custa apenas R$ 0,49. Ele foi solicitado à Secretaria de Saúde pela equipe técnica do hospital, porém, diante da demora na compra por mais de dois meses, um dos equipamentos estragou e a reforma está orçada em quase R$ 50 mil. Por conta do valor, o Estado alegou que não será possível consertar o equipamento por falta de verba e, por causa disso, outras máquinas estão sendo utilizadas em substituição, porém, algumas delas expõem os pacientes a mais radiação”.

 

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