“Não adianta agora dizer que vai fazer isso ou aquilo. É como a gente diz lá na roça: a vaca foi para o brejo, acabou”. Foi essa a avaliação feita nesta terça-feira (25) da tribuna do Senado Federal pelo senador Ataídes Oliveira (PSDB/TO), em discurso sobre as últimas entrevistas dadas pela presidente Dilma Rousseff. O anúncio do corte de ministérios, secretárias e cargos comissionados veio tarde demais, na avaliação do senador, que também ironizou o fato de a presidente ter admitido que demorou muito a perceber a gravidade da crise econômica.

“Essa crise foi fabricada, foi arquitetada ao longo desses 13 anos pelo governo do PT”, frisou o senador Ataídes, lembrando que a oposição vem lembrando ao longo de todo esse tempo a necessidade de equilibrar as contas públicas, incentivar a produção e acabar com a corrupção. Ele também observou que há mais de um ano as manifestações populares têm deixado clara a insatisfação com o que está acontecendo no país e que “somente agora a presidente Dilma descobriu”. “É uma piada de mau gosto”, resumiu.

O senador aproveitou para enumerar indicadores econômicos que dão uma dimensão do tamanho da crise: taxa de juros de 14,25%, inflação por volta de 10%, retração do PIB acima de 2%, dívida bruta beirando os R$ 4 trilhões; perda de arrecadação de R$ 122 bilhões só nos primeiros seis meses do ano. Ele chamou atenção particular para a disparada do desemprego, “a grande bomba deste governo, que está prestes a explodir”.

Só neste ano foram demitidos 492 mil trabalhadores com carteira assinada e o índice oficial medido pelo PNAD chegou neste trimestre ao recorde de 8,3%, salientou o senador. O mais grave, segundo ele, é que as taxas oficiais são calculadas de modo a subestimar a população desempregada, já que não incluem boa parcela dos que recebem seguro-desemprego e de jovens que não estudam nem trabalham, a chamada geração nem-nem. Pelos cálculos do senador Ataídes, o desemprego no Brasil já beira a casa dos 30%.

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