O brasileiro adora uma pipoca, principalmente, durante uma sessão de filme. Mas você já pensou como é o processo de transformação do milho em pipoca? Para responder essas e outras perguntas curiosas sobre ciências, uma acadêmica do curso de Química do Câmpus de Araguaína, da Universidade Federal do Tocantins (UFT), realizou seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), intitulado “Libras Com (S) Ciência”, com a produção de vídeos curtos que respondem essas curiosidades, porém, o diferencial são gravações voltadas ao público de pessoas surdas.

A acadêmica de Química é Paloma Terris, e na ocasião diz que ficou surpresa com a dimensão que teve o seu trabalho. “Quando tive a ideia de fazer esse projeto, não tinha muita noção do que seria o resultado. Só pensei: quero criar um material didático para surdos; vídeos em que eles possam ver e aprender a partir deles”, contou.

A ideia do trabalho, segundo Paloma, era produzir vídeos curtos, explicando curiosidades que surgem no dia a dia, usando o apoio da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Ela conta que no desenvolvimento do seu TCC percebeu a possibilidade de facilitar a vida de estudantes surdos. “Com isso o meu trabalho foi crescendo, e fui estudando mais, e quando percebi, foi além do esperado, porque a ideia poderia trazer empoderamento para a Libras, para a pessoa surda e para o ensino de química, além de dialogar com direitos humanos. O que eu quero é que mais pessoas conheçam o projeto e contribuam, não só as surdas, mas também as que não tem essa deficiência possam ter acesso aos vídeos e aprender química”, ressalta.

A acadêmica conta também que, para a produção dos vídeos, teve a participação de alunos surdos e professores intérpretes, como o professor e coordenador do curso de Letras/Libras do Câmpus de Porto Nacional da UFT,  Bruno Gonçalves. “O trabalho é um relato de experiência sobre produção de material didático em libras e pode ser reproduzido na escola, em sala de aula, porque, hoje, isto é uma demanda para o ambiente de ensino,” disse Gonçalves.

Já o professor e orientador da estudante, Roberto Dalmo Lima, comemorou o sucesso do trabalho da acadêmica e diz sentir orgulho do que poder se tornar o projeto. “O trabalho dela é exemplo de inovação, sendo fundamental para a universidade e para a comunidade acadêmica. Esse projeto veio para instigar e motivar o pensamento dos educadores para com os alunos com deficiência. Eu tenho um maior orgulho dela”, pontuou.

Paloma diz ainda que para dar continuação do Projeto Libras/Consciência, a intenção é ir até as escolas, mostrar e oferecer minicursos aos professores e alunos, principalmente de Química e Libras para que tenham essa visão de inclusão. No mês de agosto, a acadêmica vai apresentar seu projeto para a comunidade. Para divulgar o seu trabalho, Paloma publicou os vídeos em páginas que tinham mais a ver com a área, como páginas de educadores, professores, pessoas que trabalham com inclusão, professores de química, pesquisadores sobre o ensino de química e nas redes sociais em geral.

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