Se alguém lhe contar a história de um grande circo que toma conta de toda uma vila do  vale da Serra do Carmo, onde picadeiros se misturam com trilhas e cachoeiras de águas cristalinas,  acredite. Essa é Taquaruçu, uma vila ecológica que é distrito de Palmas, no Tocantins, onde acontece um dos mais interessantes festivais circenses do país.

Para quem ainda não teve a oportunidade de vivenciar essa experiência em alguma das últimas quatro edições do evento, ir ao 5° Festival de Circo de Taquaruçu pode ser a estreia perfeita. O movimento cultural iniciado pela Cia de Circo Os Kaco em 2014, chega esse ano com uma maturidade dos grandes festivais de arte do país. É intenso, com cerca de 100 horas de programação gratuita, que traz um panorama contemporâneo do circo no norte do país. Ao mesmo tempo é um convite à tranquilidade e ao desfrute das mais de 30 cachoeiras e inúmeras trilhas e passeios, tanto para a família como para quem gosta de estender um pouco mais a noite com atividades culturais.

O festival começa sua programação de um jeito bem saltimbanco, retomando o circuito de apresentações em escolas e comunidades rurais que começa na segunda (28) e vai até quarta (30), democratizando o acesso à cultura e à arte. Com um espetáculo coletivo, artistas formados pelo Circo Social Os Kaco abrem a manhã desta segunda no Colégio Duque de Caxias. O festival itinerante segue com o grupo paulista Cia dos Tortos, apresentando “Mandrake” no pátio da Escola Municipal Crispim P. Alencar. O famoso ilusionista das histórias em quadrinhos e a grande inspiração dos palhaços charlatões Sizu e Palhita, criados por Paloma Natácia e Pedro Fontana. Ainda no primeiro dia de evento, o picadeiro erguido no Circo Os Kaco recebe “Bulacha, o Domador de Animais”, espetáculo do coletivo É Só Querê Fazê.

O passeio circense pelas escolas percorrerá ainda a Escola Prof. Sueli Reche, em Buritirana, que recebe na terça às 9h, o espetáculo “HorrorPilante” na terça (29) o Grupo de Teatro Varieté, de Belém. Na quarta (30)será a vez de Romana Melo e Antonio do Rosário, levarem o espetáculo “Risos e Sabores” para a meninada do CEMEI Ana Luiza.

Uma das grandes atrações deste ano é o Palhaço Biribinha, personagem do mestre alagoano Teófanes Silveira, que sobre ao picadeiro do Circo os Kaco na terça (29) às 15h para uma inusitada aula-espetáculo. Silveira é um dos principais artistas circenses do Brasil, que há 50 anos vem fazendo da palhaçaria “uma arte de denunciar a vida”.

Maratona circense

De quinta (30) a sábado (1) concentra-se a maior parte da programação desta 5a. edição do Festival de Circo de Taquaruçu. As tardes estão dedicadas à aprendizagem, com uma série de oficinas,

vivências para artistas iniciantes, experientes e até mesmo crianças e curiosos pelas artes circenses. Ao cair da noite o picadeiro montado na Praça Joaquim Maracaípe recebe artistas independentes, companhias, grupos e coletivos de toda a parte do Brasil e de países como Equador, Colômbia, Venezuela, Argentina e Espanha. As noites terminam no espaço cultural Canto das Artes, onde acontecerão performances circenses e shows musicais (programação paga e apenas para maiores de 18 anos).

Algumas programações já se tornaram tradicionais neste cinco anos de festival, como a Palhaceata, que acontece na quinta (31) a partir da 17h, saindo em cortejo do Circo os Kaco até a Pça. Maracaípe. Uma oportunidade do público ser protagonista e se misturar com mais de 100 artistas participantes do evento e fazer das ruas do distrito uma grande festa ao som do Bloco Socapino, Projeto Boca do lixo e Tambores do Tocantins. Após o cortejo sobe ao picadeiro central o grupo Circo do Asfalto (SP), com o espetáculo “Show da Percha”, e a noite termina no espaço cultural Canto das Artes, com a apresentação do espetáculo “A Visita do Chico”, com a goiana Radarani Oliveira, e o show musical da banda Invasões Bárbaras.

Na sexta (1) a Noite dos Palhaços mistura a tradição dos mestres do riso com inovações estéticas e o ativismo social no picadeiro da Pça Maracaípe a partir das 19h. Quem abre a noite de sexta é a companhia de Anápolis, Boca do Lixo, com o espetáculo “Batuque, canto e viola”.  A partir das 22h acontece a Noite do Fogo, que reunirá números especiais de pirofagia no Canto das Artes, além do show com Tambores do Tocantins (entrada paga e somente para maiores de 18 anos).

O Festival de Circo de Taquaruçu termina no sábado (2), com o espetáculo “FFEEEESTA” , da companhia  carioca GomesNinow, que abre a tão esperada Noite de Gala, espetáculo de variedades que reunirá os melhores números, especialmente preparado pelos artistas convidados.

Trajetória de resistência

O tema escolhido para este ano é um convite à celebração: #VivaoPúblico!. Traduz uma  trajetória de resistência cultural e de construção colaborativa de uma proposta de circo social. “É uma convocação à vida, às transformações e lutas que travamos coletivamente, seja dentro ou fora do picadeiro, na missão de tornar o mundo mais alegre e justo através da nossa arte”, ressalta o diretor artístico do festival, Kadu Oliviê.

Desde 2013, quando a Cia Os Kaco se transformou em uma associação e posteriormente em um Ponto de Cultura, a atuação desse conjunto de artistas e produtores culturais foi pautada pelo desejo de ver o circo provocar transformações sociais. Assim, desde a primeira edição, os espetáculos dividem espaço na programação com atividades de arte educação, formação para profissionais da arte, além do debate e construção de políticas públicas a partir do Fórum de Circo do Norte.

Este ano a realização do festival conta com o envolvimento direto de vários artistas, sobretudo do coletivo é Só Querê Fazê, que reúne ativistas circenses que colaboram mutuamente com a realização de vários eventos de circo no centro-norte do Brasil. “As parcerias locais também são fundamentais para fazermos esta festa, empresas como a Investco, o Quartetto Supermercados, além de organizações como o Sebrae Tocantins e a Prefeitura de Palmas, através da Agência Municipal de Turismo, estão junto nesse sonho com a gente”, destacou

Um dos exemplos dessa militância são as ações de permacultura e reciclagem, que permeia o circo Os Kaco, principal palco do Festival, durante todo o ano. O espaço cultural serve de unidade de experimentação para novas sustentáveis técnicas para construção, produção de alimento e destinação de residuos sólidos e orgânicos. Este ano o Festival contará com uma programação especial, o PermaCirco, com oficinas, palestras e workshop gratuitos.l

“Por essas e outras é que convocamos, #VivaOPúblico! Celebramos o público, protagonista da suas próprias transformações e que não mais assiste inerte as narrativas, reais ou inventadas, que lhe saltam aos olhos. É também um desafio à apropriação dos espaços públicos, ao exercício democrático de ocupar a rua e de refletir sobre políticas públicas e o papel do artista na transformação do nosso país”, conclui Oliviê.

O 5° Festival de Circo de Taquaruçu começa nesta segunda-feira, 28 de maio e termina no dia 02 de junho, em Taquaruçu, a programação gratuita e e classificação é livre.

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