Marcelo Miranda

Uma matéria que foi ao ar na noite desse domingo, 22, no Fantástico denunciou uma série de desvio de verbas públicas e esquema de corrupção comandadas pelo governador cassado do Tocantins Marcelo Miranda (MDB).

A reportagem abordou várias denúncias do Ministério Público que apontam rombos bilionários no Estado e que cerca de oitenta e seis ações civis públicas já foram protocoladas na justiça para que os responsáveis devolvam todo dinheiro desviado além de multas.

A procuradoria quer a devolução de mais de R$ 1 bilhão e 200 milhões, são várias acusações só os desvios de verbas feitas em medições fraudadas que somam 116 na ponte que liga Palmas à Luzimangues daria para realizar o dobro de obras já realizadas no Tocantins diz o MP. Só nessa ponte os desvios ultrapassam os R$ 460 milhões segundo o MP.

A lista de investigados pela Polícia Federal tem mais de 20 pessoas. Uma delas é o empresário José Miguel Peixoto. Ele pagava propina para vencer licitações e chegou a reformar de graça o gabinte do então governador, relata as investigações.

Pontes que têm oito metros de altura, se fossem usados materiais que foram pagos, poderiam ter 80 ou 100 metros de altura, o que é algo totalmente impossível de existir, disse o promotor.

Para fazer outra ponte utilizada para a travessia do rio Soninho, o governo do Tocantins pagou R$ 3,6 milhões. Ela tem 75 metros. Sendo que 20 metros seriam suficientes. De acordo com a acusação a obra em concreto com 55 metros a mais foi feita para desviar dinheiro público.

Outra ponte construída em Ponte Alta do Tocantins custou R$ 5 milhões e tem 150 metros. Uma perícia concluiu que 100 metros já seriam suficientes. A obra fica na propriedade do agricultor Martinho José Batista. Ele até construiu um curral debaixo da ponte e diz que não tem perigo porque o rio não sobe muito. Só se for um dilúvio, igual está acontecendo por aí afora, brincou ele.

Brito Miranda

Também acusado pela Polícia Federal, Brito Miranda, pai de Marcelo Miranda. Pressionou o filho a aprovar a inspeção veicular em uma interceptação telefônica autorizada pela justiça em maio de 2016. A medida obrigava os motoristas a vistoriarem os carros e pagarem uma taxa.

Marcelo Miranda: Aqui o negócio veicular está pegando, viu? Eu também não posso ficar sendo alvo de crítica da população

Brito Miranda: Como o estado vai viver sem arrecadar nada? Como ele vai se manter?

A medida entrou em vigor, mas logo foi suspensa pela Justiça por suspeita de irregularidades. Um ex-funcionário da família de Marcelo Miranda chamado Alexandre Fleury Jardim, fez delação premiada e confessou que era um dos laranjas do esquema. Disse que R$ 65 milhões encontrados nas suas contas eram, na grande maioria, da família Miranda e que movimentou outros R$ 20 milhões em dinheiro vivo para compra de gado, pagamento de dívidas da família e doações irregulares de campanha de Miranda em 2006.

Cassação

Marcelo Miranda (MDB) e sua vice Cláudia Lelis (PV) foram cassados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no fim de março por captação irregular de recursos. Em 6 de abril, ele conseguiu uma liminar no Supremo Tribunal Federal e voltou ao comando do Estado. Na última quarta-feira, 18, os ministros do tribunal rejeitaram os embargos e decidiram manter o afastamento de Miranda e Cláudia Lelis.

Mauro Carlesse (PHS), presidente da Assembleia Legislativa, assumiu o cargo e fica até que seja realizada a eleição suplementar no dia 3 de junho ou até que o ministro Gilmar Mendes julgue outro recurso de Miranda e possa retornar o governador cassado ao Palácio Araguaia numa canetada.

A defesa de Marcelo Miranda nega todas as acusações.

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