Antiga demanda das comunidades agrícolas do norte e sul do Tocantins, as Escolas da Família Agrícola (EFA) de Esperantina e de São Salvador se tornaram uma realidade para a educação do Estado. Com o atendimento de 300 alunos em regime de Pedagogia da Alternância, as escolas proporcionam uma experiência nova no sistema de ensino-aprendizagem para as famílias que residem em localidades rurais no Tocantins.

De acordo com o secretário da Educação, Juventude e Esportes, Adão Francisco de Oliveira, o início das atividades nas Escolas da Família Agrícola vão ao encontro das necessidades locais, tanto no extremo sul tocantinense, quanto na região do Bico do Papagaio. “Em Esperantina, a comunidade aguardou cinco anos para que a escola pudesse começar a receber alunos. Já em São Salvador, foram dez anos de espera que acabaram”, completou.

No município localizado no norte, os professores estão passando pela semana de formação. A expectativa em Esperantina é que as aulas iniciem na próxima semana para 150 estudantes do 8º e 9º ano do ensino fundamental e da 1ª série do ensino médio. Já em São Salvador, as aulas iniciaram no dia oito de março para o mesmo número de alunos das mesmas séries.

A Pedagogia da Alternância prevê que os estudantes passem um período na escola em regime de internato, recebendo aulas em tempo integral, aglutinando conhecimentos teóricos e práticos com atividades que visem ao desenvolvimento socioeconômico da região. No caso específico do Tocantins, os estudantes das EFA passam uma semana na escola e outra semana com suas famílias, compartilhando o conhecimento adquirido nas salas de aula, laboratórios e aulas de campo.

Diretor da Diversidade e Programas Educacionais da Seduc, Felipe Carvalho destacou que a meta com as escolas é fortalecer o ensino do campo, oferecendo educação convencional, aliada a cursos técnicos voltados para as atividades desenvolvidas nas comunidades onde as escolas estão localizadas. “Além de escolarizar os jovens, o objetivo é formá-los profissionalmente com cursos técnicos na área de agroecologia. Queremos preparar essa juventude para desenvolver suas comunidades, regiões e assentamentos”, completou.

Parceria

As Escolas da Família Agrícola são fruto de parcerias entre o Governo do Estado, governo federal e empresas privadas, com o intuito de oferecer um ensino de qualidade, voltado para o desenvolvimento regional, dentro das características de cada comunidade agrícola do Estado. Em Esperantina, a prefeitura construiu a estrutura física, com recurso do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e, através de um termo de sessão de uso, repassou o prédio para que uma escola da rede estadual fosse implantada.

Já na região Sul do Estado, onde a escola está localizada em reassentamento agrário para pessoas impactadas pela Usina Hidrelétrica de São Salvador, a empresa responsável pela UHE irá implantar um laboratório de Georreferenciamento e um abatedouro de frangos, que fortalecerá o ensino técnico naquela unidade de ensino, segundo Felipe Carvalho.

Pedagogia da alternância

A Pedagogia da Alternância foi criada na França no início do século XX, em um período de grande êxodo rural, com o intuito de evitar os longos períodos de traslado até as escolas, ou que os estudantes fossem mandados definitivamente para internatos em regiões rurais, ou mesmo urbanas.

No Brasil, a metodologia chegou no final da década de 1960 a quase todos os Estados, principalmente a áreas de difícil acesso do transporte escolar.  Neste modelo de educação, os estudantes têm disciplinas regulares do currículo escolar, além de disciplinas técnicas voltadas às atividades do campo e, no período em que passam em casa, colocam em prática o aprendizado adquirido durante o período de estadia na escola.

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