Início de ano letivo, época de rever os amigos, colocar o assunto em dia e dar boas risadas. Esse é o cenário que muitas crianças e adolescentes estão encontrando na retomada das aulas, mas ainda existem muitos alunos que temem esse retorno. O motivo, o bullying.

De acordo com a lei nº 13.185, de 6 de novembro de 2015, escolas e clubes são obrigados a combater o bullying. Na legislação, o governo federal define que o bullying ocorre quando existe violência física ou psicológica em atos de intimidação, humilhação ou discriminação e já é considerado uma questão de saúde pública. O governo ainda define o bullying em ambiente virtual como cyberbullying, como os atos de incitar a violência, adulterar fotos e dados pessoais, com o intuito de criar meios de constrangimento psicossocial.

Combate

O psicólogo do Colégio Militar de Palmas, Augusto César Baratta Monteiro, está concluindo seu doutorado na Universidade de El Salvador, na Argentina, com o trabalho Bullying nas escolas públicas, e vem desenvolvendo projetos no combate à violência na escola. Para ele, o bullying é uma questão séria, mas se enfrentada da maneira correta tem grandes chances de redução.

“Aqui no Colégio Militar, trabalhamos com um projeto de formação dos líderes de turmas, para que eles sejam disseminadores em suas salas. Além disso, enquanto psicólogo, realizo um trabalho focal, tanto com os alunos que sofrem algum tipo de bullying, quanto com os que praticam. Temos diminuído muito nossos números, nosso índice é mínimo”, diz Augusto César.

Em 2016 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 2015, em que foi possível constatar que 46,6% dos alunos já sofreram algum tipo de bullying na escola. Outro apontamento foi que 7,4% declararam que são humilhados com frequência. A aparência do corpo foi um dos principais motivos para as agressões (15,6%) e a aparência do rosto (10,9%). A pesquisa apontou ainda que a prática de bullying geralmente é maior entre os meninos (7,6%) do que entre as meninas (7,2%), e colocou a região Sudeste como a que apresentou maiores índices desse tipo de violência (22,2%).

Como identificar o bullying?

Pais e professores devem estar sempre atentos, segundo o psicólogo Augusto César. “Meninos e meninas que sofrem bullying tem uma perda significativa na aprendizagem, com reflexo imediato em suas notas. Também existe uma tendência ao isolamento e pânico de rejeição. Nesses casos a vítima pode chegar até a cometer suicídio, por isso todo cuidado é pouco”, conclui.

Conte até 10

Segundo a Gerência de Projetos Educacionais da Seduc, o Tocantins está atento para combater o bullying. Desde o ano de 2014 são realizadas ações contínuas de combate ao bullying nas escolas da rede estadual com o projeto Conte até 10. “O objetivo é desenvolver ações educativas, que diminuam a criminalidade dentro das escolas”, explica o gerente Júlio César.

A campanha é uma realização do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp), que tem como gestor, no Tocantins, o Ministério Público Estadual (MPE) e parceria com a Seduc. Só no Tocantins já foram capacitados cerca de 800 professores pelo Conte até 10 que, ao final do curso, desenvolveram projetos em suas escolas.

Campanha

Pensando em solucionar dúvidas sobre o tema, a Secretaria de Estado da Educação, Juventude e Esportes (Seduc) está utilizando as redes sociais para levar as principais problemáticas causadas pelo bullying à sociedade, além de auxiliar pais e estudantes a diagnosticá-lo. Serão divulgadas tirinhas no facebook da Seduc, no endereço:https://www.facebook.com/SeducTocantinsEducacao/.

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